Reunião do CONSU em maio

Semana passada (no dia 31 de maio) teve reunião do Conselho Universitário. Para compensar os posts que eu fiz que pareciam mais tweets, esse post deve ser bem grande!

No expediente muitos diretores e representantes docentes se despediram, devido ao término de seus mandatos. A professora Nádia, diretora do IFCH, trouxe uma moção da Congregação do instituto contra os processos judiciais que foram abertos contra funcionários e alunos por conta da greve do ano passado e da ocupação da moradia no início desse ano (nas quais, segundo a reitoria, teria havido depredação). De acordo com um representante dos servidores, a reitoria estaria consultando a PG para saber quais as possibilidades de que os processos sejam retirados. Veremos! Está rolando um processo de avaliação de desempenho dos funcionários da Unicamp que resultou na promoção de cerca de 40% dos que se inscreveram. Algumas unidades, como a FE, relataram ter problemas com esta avaliação e que o modelo adotado geraria tensão entre funcionários e chefias. Ainda no expediente, comentei sobre o abaixo-assinado de docentes que o Pró-Pós está organizando e pedi que a universidade abordasse de forma mais efetiva a segurança da comunidade (não só nos limites da Unicamp) e que houvesse maior clareza na divulgação de dados de segurança.

O professor Paulo (PRDU) informou que ontem foi iniciado o funcionamento pleno da central de vigilância por câmeras, tendo afirmado novamente que o sistema de câmeras irá servir exclusivamente para vigilância patrimonial e pessoal. O custo total do sistema, segundo o professor, foi de 2,8 milhões de reais, devendo ser implementado no futuro o controle eletrônico de acesso pelas guaritas. Em resposta à minha fala, o professor Paulo informou que atualmente só os diretores de unidades que estejam envolvidas em casos de violência são informados sobre ocorrências. O professor Knobel (PRG) informou que foi feita uma avaliação da universidade por parte de uma comissão da OCDE, cujo relatório foi entregue a todos os conselheiros (vou ver se consigo uma versão online do relatório para disponibilizá-la aqui). O professor Fernando, reitor, abordou a questão da paridade com a USP, demandada por funcionários: afirmou que os salários-base pagos pela USP são exageradamente altos, muito acima do mercado ou de qualquer outra universidade, de modo que a isonomia nesse quesito seria impossível. Quando considerando os salários médios por categoria, no entanto, a Unicamp pagaria salários melhores que os da Unesp, da USP e do mercado em Campinas e São Paulo. Ainda no assunto de salários-base, afirmou que os salários dos extremos da carreira docente (MS-3 e MS-6) precisam ser revisados para se tornarem mais atraentes e que o assunto estaria em discussão no CRUESP.

Entrando na ordem do dia: o primeiro assunto que foi discutido foram as eleições docentes. A diretora do IFCH pediu que nas próximas eleições sejam publicadas mais informações, como resultados por urnas, quantos votos foram impugnados e os motivos da impugnação. O professor Álvaro Bianchi, do IFCH, entrou com uma ação judicial para que a Secretaria Geral exiba em 24h o material das eleições, abrindo para o candidato um prazo extra para recurso. Tal decisão não suspendeu a posse das eleições, que foram homologadas. Vários conselheiros (eu incluso) pediram que as eleições fossem informatizadas (nessa hora descobri que as eleições já foram via web uma vez, mas o sistema foi muito mal programado e permitia que uma pessoa votasse várias vezes). De acordo com a SG, como os votos devem ser discriminados por nível MS, caso eles sejam separados por unidade isso implicaria que vários votos não seriam mais secretos (por exemplo, há unidades com um MS-2 só, que teria os seus votos revelados).

Um dos RDs da graduação, que é do campus de Limeira, afirmou que há uma situação complicada lá, com falta de prédios e de docentes, havendo turmas que só tem aulas com PEDs, e pediu empenho da universidade em aumentar os recursos vindos do governo do Estado. Aproveitando o gancho, afirmei que é preciso que o pessoal de Limeira tome mais cuidado com o PED, para que os estagiários sejam supervisionados de forma adequada e não seja somente uma forma de substituição de docentes. Tanto a reitoria quanto a diretoria afirmaram que o campus de Limeira tem obras e contratações seguindo o cronograma.

O ponto seguinte foi o que fez a reunião pegar fogo! Foi discutido o caso do professor Edison Z. da Silva, que eu comentei em meu post anterior nesse blog. Houve a repetição de pontos que o professor Daniel e o professor Edison haviam apresentado quando me reuni com eles e eu apresentei os dados que eu apurei junto a professores e alunos do IFGW. O professor Antenor, diretor da FEEC, levantou um ponto que achei muito bom: a abertura de uma segunda vaga após os resultados de um concurso terem sido anunciados permite que haja a falta de isenção, tendo sugerido que a validade do concurso acabe logo após o preenchimento das vagas anunciadas no edital (como ocorreria na USP). Pessoas do departamento do professor Edison afirmaram que a discussão de política científica que a diretoria do IFGW afirmou que levou à não atribuição da vaga não existiu. Frente a isso, o diretor do IFGW fez algumas críticas meio pessoais a esses representantes, tendo sido repreendido pelo reitor. Minha opinião: houve uma clara tensão política interna ao IFGW, tanto em prol quanto contra a atribuição da vaga ao professor Edison. No entanto, não consegui ver evidências claras de que faltou lisura à Congregação. Como disse em minha campanha ao CONSU, caso não haja indícios de desvios, sempre sou favorável à autonomia das unidades, pois elas tem um melhor conhecimento de seus próprios problemas e de sua própria área de atuação, de modo que fiz uma defesa (um pouco mais enfática do que eu planejava) de que a decisão da Congregação fosse respeitada. Feita a votação, confirmou-se a divisão que se sentia: o professor Edison foi promovido a titular por 29 votos a 24, com 7 abstenções.

A discussão seguinte me partiu o coração: um professor havia sido contratado por processo seletivo (aquele esquema em que o professor é contratado por 3 anos, renováveis por mais 3 e depois é aberto um concurso público para o preenchimento de sua vaga em caráter permanente) na FE e nesse período lecionou a disciplina para a qual havia sido contratado. Expirado o contrato do professor, quando foi ser aberto o concurso o edital deveria conter em sua descrição o programa da disciplina em seu último oferecimento (que havia sido ministrada pelo professor em questão e continha um livro desse professor). O professor foi aprovado em primeiro lugar, mas aí veio o Ministério Público e pediu a anulação do concurso por ele, supostamente, beneficiar um dos candidatos. Eu fiquei com dó pois o professor teve qualidade atestada no concurso, escreveu um livro sobre o assunto (portanto o conhece muito bem), mas tive que votar pela anulação do concurso (que foi aprovada) pois se não fosse anulado pelo CONSU, a Justiça o faria. Uma pena...

Mais um recurso de docente foi discutido, dessa vez o caso era do IMECC. O professor Alexander Kushpel, que era contratado por processo seletivo, havia sido aprovado em concurso público mas teve notas muito baixas na prova didática e na arguição. Pelo que eu havia verificado com alunos do IMECC, de fato, as aulas do professor seriam muito fracas, e manifestei ao Conselho esta colocação e sugeri que fosse feita a contratação como pesquisador apenas, e não como professor (dado que isso poderia prejudicar muitos alunos). Ao ser questionado sobre esse assunto, o diretor do IMECC afirmou que a aula do professor Kushpel não seria "nenhuma Brastemp", mas que ele é um excelente pesquisador e por isso deveria ser contratado. O Joni, outro representante da pós, perguntou qual era o suporte dado ao professor, que é estrangeiro, pelo instituto, ao que foi respondido que eram realizados cursos coordenados e haviam conversas pessoais com o docente (o que para mim é muito insuficiente para uma universidade que pretende atrair docentes e alunos internacionais). Ao final das discussões, o professor foi contratado (e eu fui um dos únicos que votou contra essa contratação).

Por fim, foi aprovada uma moção manifestando reservas da Unicamp com relação à aprovação pela Câmara dos Deputados do novo Código Florestal, pedindo que a comunidade acadêmica seja mais ouvida.

No cafézinho

Aproveitei as pausas para conversar com alguns pró-reitores e com o pessoal da Secretaria Geral. Falei com o professor Pilli (PRP) sobre a presença de representantes discentes na Comissão Central de Pesquisa, de modo que a Secretaria Geral vai dar uma olhada nos procedimentos para preencher essas vagas que já existem. Falando com o professor Paulo (PRDU), me informei sobre o bandejão 3 e as reformas na moradia. O terceiro bandex deve ficar pronto para agosto, enquanto que a moradia deve ficar pronta só em 2014 (para a Copa!?). Falei também sobre a convocação do Grupo de Trabalho sobre Segurança e Qualidade de Vida, do qual faço parte e o professor Paulo é presidente, e pedi que a PRDU peça que as unidades nomeiem seus representantes para que o GT possa funcionar.