Iniciando no CONSU - Reunião de 29 de março de 2011

Olhe só quem ressurge das cinzas! Depois de mais de um ano de blog parado, estou voltando a escrever aqui. Agora não estou mais na representação discente na CCPG, mas no CONSU (e na CAD, que é uma das câmaras do CONSU). O Daniel, que era do CONSU, agora está livre da representação discente, sendo apenas prisioneiro da APOGEEU!

Indo ao que importa, vou relatar o que foi discutido na reunião do CONSU de hoje:

Ao modelo das Memórias Póstumas de Brás Cubas, começo o meu relato da reunião pelo final. Faço isso por considerar este final um tanto emblemático. Evelyn Beatrice Hall tem uma frase muito conhecida (muitas vezes atribuída erroneamente a Voltaire) que define muito bem o direito à liberdade de expressão: "posso não concordar com a sua opinião, mas vou defender até a morte o seu direito de expressá-la". Coloco essa citação para contrapô-la à frase dita pelo magnífico reitor ao finalizar a reunião hoje, quando um representante discente da graduação pedia a palavra: "você pode se graduar, fazer mestrado, doutorado, virar professor, então reitor e aí terá direito a falar por último na reunião" (citação livre). Caso fosse necessário encerrar a discussão, dado o horário avançado, poder-se-ia convidar o representante discente em questão para uma conversa em particular logo após a reunião ou pedir que este apresentasse suas colocações em momentos futuros. A despeito da pertinência do pedido de fala por parte do conselheiro, a resposta dada pelo professor Fernando é incompatível com o ambiente universitário, que pressupõe a busca do conhecimento e de novas soluções, para o que é imprescindível amplo debate e espaço para apresentação de ideias, independentemente da formação de quem as coloca. Devo manifestar minha opinião sobre o assunto na próxima reunião, mas espero que este seja um fato isolado neste meu período como representante.

De volta à ordem cronológica, começamos a reunião hoje pela discussão das mudanças na carreira docente, que inclui alguns níveis intermediários nas categorias de professor doutor (MS-3) e professor associado (MS-5). Foi proposta a supressão de diversos artigos, para dar maior autonomia às unidades. O texto atual acabou ficando confuso, de modo que o conselho julgou que seria necessário maior discussão do assunto nas unidades, deixando o assunto para uma reunião extraordinária a ser convocada dentro de cerca de um mês.

Seguiu-se, então, a discussão de distribuição de vagas de 2010 (que foi feita excepcionalmente nesse ano) para novos docentes e para professores titulares. Várias unidades pediram a reconsideração da distribuição de vagas, tendo sido proposto que essas reconsiderações seriam feitas na nova atribuição de vagas que será realizada no final de 2011. Em consonância a uma proposta feita anteriormente pelo diretor do IFGW, propus que fosse dada maior autonomia às unidades para que a elas fossem alocados recursos e então fizessem suas distribuições de vagas, podendo, assim, realizar um melhor planejamento de suas vagas docentes. Alguns diretores levantaram questionamentos sobre a falta de docentes em determinadas áreas (especialmente para que alguns professores possam realizar viagens de especialização, por exemplo) e a ocorrência de turmas muito inchadas, apontando para a necessidade de discussão sobre a contratação de professores temporários. A mesa afirmou, por sua vez, que foi alcançada uma maior estabilidade do número de docentes, havendo mais professores hoje do que havia em 2004.

Foi discutido também o fechamento do orçamento do ano passado. Houve excedente de cerca de 70 milhões de reais, que serão repassados para o exercício atual, sendo discutido o destino dessa verba na próxima reunião de revisão do orçamento de 2011 (devemos pensar em alternativas para o uso desse dinheiro!). Houve uma reunião do professor Fernando com o governador, porém não houve nenhuma definição com relação ao dinheiro para a manutenção da FCA. Caso não haja o aumento no repasse à Unicamp, esta retirará de seus próprios recursos o dinheiro para o campus de Limeira, o que deve corresponder a 0,5% do orçamento total da universidade (havia sido planejado que até 1% fosse reservado para esse fim).

Por fim, a representação dos servidores técnicos administrativos informou ao conselho que a reitoria abriu processo civil contra funcionários envolvidos com a greve do ano passado. A reitoria afirmou que tal medida foi tomada por ter havido depredação de patrimônio publico durante a ocupação da reitoria. Questionei o reitor se houve tentativas de conciliação extra-judicial entre as partes e sobre como os processados foram escolhidos, ao que fui respondido que a primeira atitude tomada foi o processo e que os funcionários foram escolhidos com base nas gravações (a representação dos servidores nega que eles estivessem envolvidos com a ocupação). Minha opinião pessoal é que se houve depredação os responsáveis devem arcar com os custos, mas a judicialização excessiva da universidade é um péssimo sintoma, ainda mais quando um judiciário moderno aponta mais fortemente para privilegiar acordos entre as partes em detrimento de longos processos. Me pergunto: cadê o diálogo na Unicamp? Os servidores processados sequer foram notificados pela reitoria da ação que estava sendo tomada. Também vejo com maus olhos a seleção de alguns poucos culpados, dado o histórico que se observa da escolha de alguns bodes espiatórios para levarem culpas por todos em virtude da inabilidade das instâncias superiores em descobrirem os verdadeiros responsáveis.

Alguns extras sobre o que fiz na reunião: conversei com os pró-reitores Pilli (pesquisa), Euclides (pós-graduação) e Mohammed (extensão e assuntos comunitários) sobre a presença de representantes discentes na Comissão Central de Pesquisa, sobre apoio da PRPG na busca por aumento dos valores das bolsas e sobre a participação da universidade no Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) de Barão Geraldo, respectivamente. O que cabe comentar sobre as conversas é que o professor Euclides informou que não há qualquer sinalização do MCT de reajuste nas bolsas. Ele também se comprometeu a levar o assunto a discussão na CAPES em reunião que terá em breve.

Acho que é isso! Espero arranjar tempo para relatar aqui a próxima reunião da CAD, na semana que vem.