Saiba mais sobre Open Access

Em um momento em que grandes repositórios online –- como o arXiv.org –- têm assumido papel relevante na publicação de artigos científicos, tem sido foco de grande discussão nos últimos anos o papel das editoras e do modelo de negócios por elas adotado na tarefa de divulgação de pesquisas e seus resultados. Os questionamentos comuns vão desde a demora da resposta e a necessidade do sistema de revisão pelos pares até os custos da assinatura de publicações, passando por questões éticas relacionadas à cobrança para acesso a resultados de pesquisas financiadas com dinheiro público, bem como o entrave que os paywalls de editoras representam à divulgação da ciência ao grande público. Um dos casos que ganharam o holofote nos últimos meses foi o manifesto “The Cost of Knowledge”, iniciado pelo matemático britânico Timothy Gowers e que conta com mais de 12 mil assinaturas de cientistas que se comprometeram a boicotar a maior editora científica do mundo devido suas práticas comerciais. Diversas bibliotecas pelo mundo, como as do prestigioso sistema de Universidades da Califórnia, já manifestaram sua preocupação com os crescentes gastos com publicações, enquanto que algumas universidades, como Harvard e Princeton, não apenas manifestaram a mesma preocupação como têm incentivado (em alguns casos até exigido) que seus pesquisadores publiquem em jornais com modelos alternativos de pagamento e de copyright.

Neste cenário a política de publicação com acesso aberto, também conhecida por open access, tem se mostrado como uma das principais alternativas, de modo que representantes de um dos grupos editoriais mais importantes do planeta, o Nature Publishing Group, afirmaram por diversas vezes que veem o open access como um modelo de negócios inevitável. Este modelo tem ganhado impulso com o apoio de diversas agências governamentais, como os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) e os conselhos de pesquisa britânicos e europeus, que exigem que pesquisas por elas financiadas sejam acessíveis gratuitamente pela Internet em até 6 meses após a publicação. Esta situação tem levado à criação de alternativas para a publicação aberta em periódicos tradicionais, como o gold open access, no qual o artigo é publicado aberto logo de início mediante o pagamento de uma taxa pelo autor, e o green open access, no qual o artigo tem seu acesso aberto após um período pré-definido sob acesso pago, assim como a criação de novos periódicos totalmente de acesso aberto e até de novas editoras que foquem totalmente na publicação de periódicos open access, como a Public Library of Science (PLOS).

Longe de ser consensual, o modelo de acesso aberto, especialmente quando demandado por governos, traz muitas polêmicas consigo. Uma das primeiras críticas é a criação de um conflito de interesses na revisão pelos pares, uma vez que, dado que usualmente as revistas receberiam por trabalho publicado, elas poderiam reduzir seus critérios para publicarem mais artigos. Outro ponto contrário levantado é que nos últimos anos a proporção de recursos dedicados a bibliotecas quando comparado aos gastos com pesquisas tem reduzido ano após ano, de modo que alguns afirmam haver a necessidade do aumento de orçamento de bibliotecas e não necessariamente a redução do custo para acessar artigos. Por fim, um outro argumento contrário é o aumento de custos para instituições de pesquisa, uma vez que estas teriam de arcar com custos que atualmente são partilhados com empresas e instituições puramente de ensino, situação que se soma à duplicidade de pagamentos que enfrentarão as primeiras instituições a adotarem mais amplamente o modelo de acesso aberto, uma vez que arcarão com custos de acesso a artigos que ainda sejam publicados segundo o modelo tradicional, atualmente hegemônico, e com os custos de publicação em periódicos open access.

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